Quinta da Taboadella

A Taboadella integra uma mancha única de 40 hectares de vinha

O maciço montanhoso protege a vinha da massa de ar marítimo do Atlântico e dos ventos agrestes de Espanha, resultando num clima de transição entre o marítimo e o continental aparentemente temperado. O equinócio de outono regista uma quebra acentuada de temperatura e, geralmente, chuvas precoces e geadas, ocorrem no final da primavera.

A vinha tradicional não é regada, perpetuando a qualidade ancestral e a tipicidade das 18 parcelas em modo de produção integrada, caracterizadas por uma densidade média de 3500 plantas por hectare e uma produção média de 4000 kg por hectare. Nos anos 80 a vinha foi parcialmente replantada, introduzindo-se novas castas como a Tinta Roriz e o Encruzado, o Cerceal-Branco e o Borrado das Moscas (Bical). Hoje, a idade média das videiras é de 30 anos, mas algumas já atingiram um século de idade!

A vinha da Taboadella foi plantada num solo de granito do tipo porfiróide de fácil meteorização, que origina solos pouco evoluídos, com baixa capacidade de retenção de água e, normalmente, com uma camada arável mais curta. Esta composição do solo resultou da alteração de dois tipos de granitos de idade paleozoica: o mais antigo corresponde a um granito de granularidade fina a média relativamente alterado e, o outro, é um granito grosseiro, onde predomina a presença de cristais de feldspatos de dimensão centimétrica. O patrimónico genético existente na Taboadella, plantado nestes solos com cotas de 400 a 530 m de altitude, assegura lentas maturações e deixa uma marca de grande elegância, complexidade e frescura, um caráter único, que só a Taboadella pode conferir aos seus vinhos genuínos.

A ocupação da Taboadella remonta ao século I. O lugar herda uma Villae romana, com um enquadramento único junto à Ribeira das Fontainhas na época uma propriedade da classe rural alta, constituída por casa, adega, celeiro e outras pequenas construções. Esta comunidade agrícola era um dos pilares de sustentação do império romano, cuja estratégia de ocupação incluía a plantação da vinha nas terras conquistadas do interior como forma de de marcação territorial e cultural, e fonte de rendimento,  já que o vinho era parte do salário militar das legiões e um importante fator de exportação. Na época medieval, as referências históricas da Taboadella remontam a 1255, com as casas da propriedade aconchegadas numa floresta mista de pinho, carvalho e castanheiro, rodeadas por um jardim secular que se estende às parcelas de vinha.  Um lugar repleto de vida e carácter, que ainda hoje nos faz sentir o “modus vivendi” de então.

A alma romana da Taboadella é um sinal da sua ancestralidade.

Esta é a identidade da Taboadella, na vinha como na vida

Com condições edafoclimáticas de exceção entre o Vale do Pereiro e o Vale do Sequeiro, o coração da Taboadella encontra-se nas castas antigas e nas videiras-mãe: Jaen, Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Pinheira que toda a vida deram origem a novas estacas contribuindo para o encepamento original, provenientes de videiras muito resistentes e perfeitamente adaptadas ao lugar. Aqui, onde o passado e o futuro se completam, os vinhos nascem na vinha e na paisagem, com o cuidado particular e paciente que nos permite resgatar do passado a essência da natureza e projetar para o futuro grandes vinhos com uma tipicidade notável mantendo o caráter ancestral do Dão.  Esta é a identidade da Taboadella, na vinha como na vida!

Propriedade com registo de antiguidade

A Taboadella situa-se na Silvã de Cima — atual concelho de Sátão, distrito de Viseu — que em tempos era uma pequena freguesia incluída na terra de Golfar, que foi doada a fidalgos cavaleiros e que mais tarde passou a pertencer à Ordem de Cristo e elevada a concelho, tendo recebido foral do rei D. Manuel, a 20 de Agosto de 1504. A propriedade parece ter sido muito apetecida por diversas famílias fidalgas ao longo do tempo, como comprova a pedra de armas do séc XIX da família Azeredo e Albuquerque.

Mas a antiguidade do nome de Taboadella recua muitíssimo mais no tempo, havendo registos do século XVII e XVIII, uma menção no Cadastro da População do Reino mandado fazer por D. João III, em 1527, e uma referência na Leitura Nova de D. Manuel I, nas Inquirições de D. Afonso III, de 1258. Existem neste lugar muitos outros vestígios, incluindo uma inscrição funerária que comprova a ocupação da Taboadella já no século I.

 

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